

PAULO CALAZANS
Nascido em maio de 1947, em Caratinga - MG, chegou a São Paulo em 1967, em plena ditadura militar e recolheu-se entre atores e criadores, músicos e visionários.
Na verdade, já havia sido picado pelo vírus da Arte nos tempos de colégio, ainda em Caratinga, quando foi apresentado a Debret e Rugendas, que ilustravam os seus livros de história do Brasil.
Fascinado pela pintura, acabou «ficando» com esta, depois de passar por vários segmentos, do teatro à musica, das artes gráficas à fotografia.
Seu ousado objetivo continua ainda hoje: «desvendar o mistério da luz e da cor, aumentar a capacidade de reconhecer, diferenciar e ampliar a memória em relação ao infinito universo das formas e das cores».
Ao longo dos anos foi maturando sua vinha criativa. Passou por muitas técnicas e estilos até fixar-se numa geometria lírica, pessoal como a mineiridade que o acompanha, inspirada em quintais e varais de Minas, São Paulo e do mundo.
De sua alegre e efusiva série de varais - onde cromias e geometrias se equilibram com maestria - constam endereços que ele capta com olhar atento, depois sintetiza em pinturas e gravuras de grande elegância.
Com produção rica e diversificada Paulo Calazans tem marcado presença em galerias e leilões de arte com seu trabalho que agrada olhares apurados, com uma harmonia formal e colorística que remete a mestres como Mondrian, como a outros pilares da pintura construtiva e geométrica. Sua obra reflete os traços de vida encontrados na arquitetura geométrica de ruas e avenidas, que só podem ser apreciados sob a poética alma de um geômetra, visão de alguém que pensa poeticamente sobre seu dom de criar: «dar tempo num espaço oculto aos olhos alheio. Reflexão louca, calma, demorada! Aqui dentro, o frio, o silêncio, Vivaldi! Lá fora a chuva, as quatro estações. Quebram-se as amarras, lá se foi o barco. A roupa secava no varal. Veio a chuva e molhou a roupa. A roupa ficou com a cor molhada. Um pássaro chegara, outro voou. Quero uma máquina de escrever para pintar um quadro. Sou chinês? Faleceu em 01 de setembro de 2.016, vítima de ataque cardíaco.